E ela que não queria se envolver passou a estar ali vestida numa camisola sexy e ainda assim eu estou ganhando dela, dizendo o que me vem à cabeça, leve, espontânea, falando do meu pijama de bolinha; como é bom ser o que e como sou.
E ela que não queria se envolver, aceitou, e deu no que deu. Deu em estar com amigos e querer ele junto, deu em querer que ele quisesse, deu em esperar (ou só querer) ele, sua mensagem, seu e-mail, sua resposta, sua presença, seu carinho, qualquer sinal de fumaça. Deu em contradições que não queríamos sentir; em um infinito querer e não fazer.
Me perguntam em quê ponto estão e eu me pego pensando: No ponto em que ela não conhece e/ou sabe lhufas praticamente da vida dele, ou mesmo dele, diz minha razão e mesmo assim quer mais tempo por perto, pra quem sabe descobrir, diz minha emoção. É isso... Deu em querer te descobrir... droga... ela pensa. E ai bate o medo de se mostrar (de)mais, a insegurança no querer que ele quisesse e/ou queira, a solidão passa a atormentar e uma dose de egoísmo com ciúme completa o copo dessa bebida que nos deixa (n)uma viciante ressaca; estranha.
No ponto que mesmo achando que eu estava caminhando para encontrar a razão, me perco na emoção de querer que ele seja o que quando ela sair andando sozinha a pegue firme pela mão, que quando ela não souber como reagir a um elogio vai entender seu “ahhh vááá” e não se desestimular e desistir de fazer o próximo. Que seja o que entende o silêncio dela enquanto outros falam e “cure” sua síndrome das pernas inquietas a abraçando, a olhando ou a tocando. Que vez ou outra ele se declare publicamente e todos os dias, seja como for, quando estiverem a sós. Que queira surpreendê-la mesmo quando eu digo que não gosto de surpresa (a verdade é que não sei reagir a elas). Que façam pazes sem brigar de verdade e, ela completa meu raciocínio, que quando a gente brigar faça as pazes de verdade.
É... ela não queria se envolver, se perder quando ele sorri, suspirar quando chega um SMS, querer notícias e ouvir sua voz. Ficar de tromba de elefante adulto quando não fala com ela e desejar conseguir também não falar com ele ou conseguir parecer ignora-lo. E durante a semana o telefone toca, as mensagens aparecem, e o computador fica muito mais interessante quando ele está ali, vem o final de semana e ela queria poder estar por perto, fisicamente e não só virtualmente.
Quem diria vontades amansadas ressurgissem e eu lamento ter mudado tanto e não ser mais a mesma, não ser quem eu queria mostrar pra ele que, lá no fundo, acho, ainda sei ser, nisso, sim, eu e ela somos a mesma. No final das contas a azeda e doce, insegura e segura, boa e má, falante e quieta, enfim, todas nós, concordamos, baixinho, que não sabemos do quê se trata e desejamos que se for só paixão fique por mais um tempo por que, amor, sabemos que ainda não pode ser mesmo que uma e outra queira que seja, que se transforme.
Ela que não queria se envolver, enquanto ele fala “então se solta” e diz que sempre quer falar sério quando estamos todos juntos, pessoalmente, mas eu não o deixo se concentrar, suspira. Cá entre nós, começa, quando menos espero, a se pegar desejando que ele tivesse atitudes "malucas" e conversando com Deus porque só Ele sabe o quanto ela queria falar sério, pessoalmente, e desconcertá-lo nesse exato momento.
E agora somos só uma, só eu; porque ele, agora, eu queria não dividir com mais ninguém, nem mesmo com as outras Alines que existem em mim. Minha sorte, ufa, é que elas não são ciumentas, como eu, e pelo menos, agora, não estaremos em conflito.
Até quando só Deus sabe! Que tudo isso seja eterno... enquanto dure.
Até quando só Deus sabe! Que tudo isso seja eterno... enquanto dure.
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