18h - Saem no "tapa".
19h - Ele me liga, reclama, diz que ela é doida, pede pra eu conversar com ela, digo que não vou me meter.
19h15 - Ela me liga, chora, grita, reclama, se nega a ouvir que está errada, finalmente, digo que não vou me meter.
19h40 - Ela me liga, "bora beber?" convida, me pergunto se ela é doida e acho graça, pergunto quem está com ela e falo pra ter cuidado.
22h - Ele me liga, quer saber onde ela está, eu respondo.
22h37 - Ela me liga bebum e feliz da vida pq ele foi atrás dela e me agradece por eu ser ridícula e contar pra ele onde ela estava (mulher é um bicho babaca mesmo!)
Por volta das 0h: Não quis deixar o carro e ir com ele, no sinal abaixou o vidro cantando nas alturas pra ele, mandou beijo e disse que o amava e acelerou.
0h40 - Ele me liga. É hora do mundo ficar meio sem rumo, desconcertado. Ela chega ao hospital.
1h25 - Chego ao Quinta D'or. Como todas as vezes em que piso naquele hospital, relembro e revivo os 3 meses de angústia que acabaram na partida de uma das melhores pessoas que já conheci e com quem convivi, respiro fundo e vou até a sala de espera, próxima ao centro cirúrgico, lá, ele e minha tia. Clima tenso. Tendo entender o que está acontecendo. Um funcionário tenta ajudar:
- Ela chegou em estado muito grave mas estamos operando pra tentar reverter o traumatismo e a hemorragia.
Abraço minha tia como se meu abraço pudesse confortá-la. Ela agradece mas se afasta. Ele bate a cabeça na parede, me pega pelos braços e diz baixinho aos prantos "eu a matei. como que fui idiota a ponto de deixar ela pegar o carro?" me pergunta, peço calma aos dois. Tento ser forte pelo dois. Em vão, óbvio, inevitavelmente cada um sabe o tamanho de sua dor.
Por alguns minutos, me afasto e penso na minha. Nas vezes em que ri com ela, e das que chorei, nos telefonemas intermináveis, nas andanças sem fim quando ela queria uma roupa nova. No quanto me apoiava e na nossa amizade. Do dia que foi pegar minhas coisas quando tomei coragem para voltar pra casa quando me "separei"e antes, me perguntou, "você tem certeza?"
Respiro fundo, olho para os dois, de longe, e acho que precisam de mim. No fundo sei que não há absolutamente nada que eu possa fazer.
2h - Quero fugir dali, não viver aquela angústia, aquela falta de notícias, aquele clima tenso.
2h e sei lá quantos - Mando um SMS na espera de uma desculpa pra poder sumir dali e me refugiar sem precisar explicar muito, ou nada. Ou até ouvir um "tô indo prai" e ir correndo para a recepção na espera por um abraço. Silêncio como resposta. Choro escondida. Misturo sentimentos e emoções e faço drama enquanto enxugo as lágrimas.
3h - Após 3 paradas cardio-respiratórias, ela não resiste.
É hora de chorar junto, avisar parentes e amigos, consolar os que aos poucos vão chegando.
É hora de abraçar minha mãe com quem briguei durante o dia.
De acessar a internet tentando fugir, fingindo que está tudo bem.
É hora de providências, escolhas, ir e vir...
De atender telefone que não é meu (odeio fazer isso).
É hora de ouvir calada minha tia contar histórias, em choque, aos risos e aos prantos enquanto milhões de coisas acontecem ao mesmo tempo.
É hora do corpo todo doer de dor.
De dirijir sem ligar o rádio.
É hora da hora da morte, da passagem, da despedida, da partida.
Olhar pro céu, pro celular, pro reflexo no vidro do carro.
É hora de deixar ir mesmo sem querer.
19h - Ele me liga, reclama, diz que ela é doida, pede pra eu conversar com ela, digo que não vou me meter.
19h15 - Ela me liga, chora, grita, reclama, se nega a ouvir que está errada, finalmente, digo que não vou me meter.
19h40 - Ela me liga, "bora beber?" convida, me pergunto se ela é doida e acho graça, pergunto quem está com ela e falo pra ter cuidado.
22h - Ele me liga, quer saber onde ela está, eu respondo.
22h37 - Ela me liga bebum e feliz da vida pq ele foi atrás dela e me agradece por eu ser ridícula e contar pra ele onde ela estava (mulher é um bicho babaca mesmo!)
Por volta das 0h: Não quis deixar o carro e ir com ele, no sinal abaixou o vidro cantando nas alturas pra ele, mandou beijo e disse que o amava e acelerou.
0h40 - Ele me liga. É hora do mundo ficar meio sem rumo, desconcertado. Ela chega ao hospital.
1h25 - Chego ao Quinta D'or. Como todas as vezes em que piso naquele hospital, relembro e revivo os 3 meses de angústia que acabaram na partida de uma das melhores pessoas que já conheci e com quem convivi, respiro fundo e vou até a sala de espera, próxima ao centro cirúrgico, lá, ele e minha tia. Clima tenso. Tendo entender o que está acontecendo. Um funcionário tenta ajudar:
- Ela chegou em estado muito grave mas estamos operando pra tentar reverter o traumatismo e a hemorragia.
Abraço minha tia como se meu abraço pudesse confortá-la. Ela agradece mas se afasta. Ele bate a cabeça na parede, me pega pelos braços e diz baixinho aos prantos "eu a matei. como que fui idiota a ponto de deixar ela pegar o carro?" me pergunta, peço calma aos dois. Tento ser forte pelo dois. Em vão, óbvio, inevitavelmente cada um sabe o tamanho de sua dor.
Por alguns minutos, me afasto e penso na minha. Nas vezes em que ri com ela, e das que chorei, nos telefonemas intermináveis, nas andanças sem fim quando ela queria uma roupa nova. No quanto me apoiava e na nossa amizade. Do dia que foi pegar minhas coisas quando tomei coragem para voltar pra casa quando me "separei"e antes, me perguntou, "você tem certeza?"
Respiro fundo, olho para os dois, de longe, e acho que precisam de mim. No fundo sei que não há absolutamente nada que eu possa fazer.
2h - Quero fugir dali, não viver aquela angústia, aquela falta de notícias, aquele clima tenso.
2h e sei lá quantos - Mando um SMS na espera de uma desculpa pra poder sumir dali e me refugiar sem precisar explicar muito, ou nada. Ou até ouvir um "tô indo prai" e ir correndo para a recepção na espera por um abraço. Silêncio como resposta. Choro escondida. Misturo sentimentos e emoções e faço drama enquanto enxugo as lágrimas.
3h - Após 3 paradas cardio-respiratórias, ela não resiste.
É hora de chorar junto, avisar parentes e amigos, consolar os que aos poucos vão chegando.
É hora de abraçar minha mãe com quem briguei durante o dia.
De acessar a internet tentando fugir, fingindo que está tudo bem.
É hora de providências, escolhas, ir e vir...
De atender telefone que não é meu (odeio fazer isso).
É hora de ouvir calada minha tia contar histórias, em choque, aos risos e aos prantos enquanto milhões de coisas acontecem ao mesmo tempo.
É hora do corpo todo doer de dor.
De dirijir sem ligar o rádio.
É hora da hora da morte, da passagem, da despedida, da partida.
Olhar pro céu, pro celular, pro reflexo no vidro do carro.
É hora de deixar ir mesmo sem querer.
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