CENA: 30 min no tel com uma amiga... conversa vai... conversa vem... ela resmunga: "Porra, tu tá a encarnação da Madre Teresa!"
Eis que acabo de ouvir tal pérola. Resolvi pensar sobre isso. Realmente, às vezes, confesso, me sinto um peixe for d`àgua nesse mundo de hoje em dia e me sinto sozinha no meio da multidão. Mas, sinceramente? Ainda prefiro acreditar que como eu existem muitos e que um dia todos nos reuniremos num fim de tarde na praia, vendo o pôr do sol, tomando uma cervejinha bem gelada e comendo um peixinho frito.
Ouço ser Madre Teresa e ganhei o apelido ha muitos anos, tudo por estender a mão a uma pessoa. Não deveria importar quem, não deveria importar o porquê (se é que tem explicação) mas foi nisso que muitos amigos se prenderam. Justificam dizendo que foi uma atitude rara e a maioria diz que não faria o mesmo. Pergunto, em meu íntimo, "mas meu Deus, por quê?"; no íntimo pois já desisti de me contentar com a maioria das respostas "Ah, Aline, só você mesmo...".
Das muitas qualidades que se contradizem com muitos dos meus defeitos uma eu acredito que tenho mesmo quando meus amigos me dizem ter e não fico vermelha com a observação (afirmação ou elogio, sei lá qual palavra se adequa melhor). Tenho mesmo um coração do tamanho do mundo; a merda é às vezes sofrer por isso. Ainda bem que compensa quando lembro dos muitos sorrisos que ganho por aí sendo como sou.
Ser uma pessoa de coração bom deveria ser bom, pronto, ponto, não deveria me fazer temer parecer boba, ingênua... foi quando que a sociedade transformou isso em ruim, hein? Que saco! Tentar entender o lado da outra pessoa e se colocar no lugar dela é ser Madre Teresa? Acreditar nas pessoas é ser Madre Teresa? Usar seus fracassos e medos para tentar evitar o sofrimento alheio ou mesmo novamente o seu é ser Madre Teresa? Então, é verdade, não estou... eu sou!
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