::: E quando :::

E quando eu te falar que eu não ligo de você sair sem mim... Confesso, é mentira.
Por mais que eu saiba que isso é saudável, normal, necessário, que posso vir a sair com os meus amigos e não fazer nada de errado... é mentira que não ligo; eu ligo! Só quero parecer segura como a mulher que eu gostaria de ser.

Quando eu te falar que tudo bem você não poder me encontrar... Confesso, tudo bem uma ova!
Eu deixo meu orgulho de lado, sou o que sou de verdade, falo, demonstro e fico sem você. É mentira que tudo bem; tudo uma bosta! Só quero parecer não ser chata e carente como a mulher que eu gostaria de ser.

E quando eu te falar que não tem problema demorar 5 horas pra responder um SMS meu... Confesso, tem.

Quando eu te falar que não faço planos... PQP! É 5 vezes mentira, sou a melhor do mundo em sonhar acordada.

Quando eu for grossa, é só para esconder o quanto sou doce. E quando eu tenho coragem, é pra esquecer que sou medrosa. Quando eu quiser impressionar, é pra você não perceber o quanto não sei e tenho vergonha de não saber.

E quando eu falar que a vida me ensinou, hahaha estarei rindo horrores por dentro, na verdade ela só tentou, eu não aprendi. Não endureci, não esfriei, não virei um ser assexuado, a mulher mais independente e segura do mundo (pelo contrário). As porradas que tomei fizeram efeito contrário em mim, me fazem teimar com elas e desafiá-las.

Quando eu falar que gosto de cuidar das pessoas, gosto que cuidem de mim também. Quando eu falar que "Eu tô com saudades" (vale para "eu te adoro", "eu te quero", "eu quero te ver"... "Eu te amo") vou me contentar com o seu "Eu também" mas, confesso, vou esperar um "Eu tô mais". E quando eu falar "toc...toc" é pra te dizer que tô sentindo sua falta sem parecer romântica demais.

E quando eu quiser só ficar quietinha, fique comigo. Quando eu quiser que deite no meu peito, deite, deixe eu achar que sou importante (porque, vamos combinar, a gente abraça, dá as mãos, mas deitar no peito a gente não deita em qualquer um!). Quando eu parecer estranha, só me abrace e me dê um beijo, seja onde for. E quando chegar ou se despedir de mim... não me venha com selinhos! Pode ser nosso último beijo.

A verdade é que sou boba, sensível e temperamental... E acho que a mulher que eu gostaria de ser é meio psicopata. Acho que seria mais fácil viver, menos emoção e mais razão; menos nhein, nhein, nhein e mais, muito mais, prática. E por mais que eu não seja como muitas outras, e por mais "única" que eu pareça, ou queira me sentir ou parecer, na verdade, sou como muitas outras outras.

E quando eu falo que gostaria de ser, não estou dizendo que me odeio, mas, confesso, não me amo 24 horas por dia. E mesmo e ainda assim gosto muito (sempre) da mulher que eu sou; goste você... ou não. E se não, tomara que logo, logo a mulher e o ser humano que sou deixe de gostar do homem e do ser humano que você é.

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