::: O plantio e a colheita :::

Outro dia me perguntaram quem eu era, de onde vinha, o que fazia e por quê estava ali. Fiquei pensando...

Minha vontade inicial foi olhar de cima abaixo, levantar as sobrancelhas, fazer meus "hunf", virar as costas e deixar ali... falando sozinha. Óbvio que, não sem antes mandar ir tomar na olhota (mesmo que apenas) mentalmente.

Ao contrário, para minha (talvez) surpresa, respondi todas as perguntas com a melhor das opções que tinha como respostas.

"Oi, tudo bem? Me chamo Aline. Sou da Carreteiro Alimentos, trabalho na área promocional e também no Marketing. Estou aqui pois fechamos parceria com a academia para o evento." Com um sorriso no rosto, depois de respondê-la, perguntei : "A feijoada está gostosa? Você aceita um café?"

Não obtive retorno. Apenas uma olhada de cima abaixo, uma levantada de sobrancelhas, ouvi um "hunf" baixinho e fiquei ali, falando sozinha, pois ela me virou as costas e muito provavelmente fui mandada ir tomar na olhota.

Duvidei do ditado que diz que o que a gente planta, a gente colhe. Mas a vida seguiu.

Hoje, ouvi uma música no rádio e a próxima vez que me perguntarem algo do tipo, talvez eu responda cantando:

Meu Nome É Favela
Eu sempre fui assim mesmo
Firmeza total e pureza no coração
Eu sempre fui assim mesmo
Parceiro fiel que não deixa na mão

É o meu jeito de ser
Falar com geral e ir a qualquer lugar
E é tão normal de me ver
Tomando cerveja calçando chinelo no bar

Não dá pra evitar bate papo informal
Quando saio pra comprar o pão
Falar de futebol
E do que tá rolando de novo na televisão

Suburbano nato com muito orgulho
Mostro no sorriso nosso clima de subúrbio

Eu gosto de fritada e jogar uma pelada
Domingo de sol
E fazer churrasquinho com a linha esticada
no poste passando cerol

Cantar partido alto no morro,
no asfalto sem discriminação porque

Meu nome é favela
é do povo do gueto a minha raíz
Becos e vielas
Eu encanto e canto uma história feliz
De humildade verdadeira
Gente simples de primeira.
salve ela o meu nome como é

Meu nome é favela
é do povo do gueto a minha raíz
Becos e vielas
Eu encanto e canto uma história feliz
De humildade verdadeira
Gente simples de primeira

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