Ela era uma recém formada, com o emprego dos sonhos na mão, pimba, ficou grávida.
Casou-se e fez tudo que achou certo (e também fez muita coisa errada, no calor das emoções). Cozinhou duas opções de almoço diferentes, dormiu no chão, num colchonetezinho (com um barrigão de oito meses) pois as coisas estavam abertadas para ele, se alegrava quando ele a convidava para ir "ali em Marechal, num restaurantezinho". Tirou espinha do peixe dele e cozinhou sem temperos que gostava pois não faziam bem a ele. Viveu assim durante quatro anos. Um dia, cansou-se dos vômitos, das ressacas, da violência moral, das noites fora de casa, do perfume de outra entranhado na roupa, das marcas de diversos batons no colarinho.
Nunca esqueceu os tais quatro anos, nunca esqueceu tamanho amor que a fez vivê-los. Amargurou-se e fechou-se para sempre.
Criou as filhas aos trancos e barrancos, principalmente durante os primeiros cinco anos que vieram após a separação, quando não pode contar com nenhum tipo de presença do ex-marido. Olhava firme nos olhos das meninas a cada vez que iniciavam um namoro e pedia-lhes "Não sejam idiotas como eu fui". Uma tornou-se uma pedra, mas conseguiu a sorte de um casamento normal. Digo; com problemas, diferenças, mas, onde existe amor. De vez enquando, eles até se abraçam! A outra, insiste em achar que vai conseguir viver uma história melhor, mais bonita e mais longa que a maioria das mulheres da sua família.
Cresceu ouvindo as lamúrias de uma mulher que fez absolutamente T-U-D-O pelo marido (e talvez seu grande erro tenha sido exatamente esse), no entanto, sempre se esquivou dos planos de quem viveu tal frustação, resolveu encarar a vida do seu jeito e viver as suas próprias. Sempre com os olhos atentos e com ela por perto foi crescendo, escreveu algumas linhas tortas, é verdade, mas nunca, nunca, seguiu seu principal conselho (que prefiro não revelar).
Talvez por ter visto tantos corações calarem-se ao longo do tempo, o dela, nessa ânsia de ser feliz, fala demais. É, sem dúvidas, a da família que mais tem amigos e por isso, mais exposta. Tem uma lista de amigas, e uma de amigos. Uma lista de namorados de amigas que a adoram e uma lista de namoradas de amigos que se divide; umas, a amam, outras, a o-d-e-i-a-m. Com todos, no entanto, tenta se dar bem e, cá entre nós, sofre, quando é rejeitada, mal interpretada. É, sem dúvida, a que mais sofreu (ou pelo menos demonstrou isso) por amor. Sempre mergulha de cabeça em suas vivências e já aconteceu de não se dar conta que nem sempre a piscina tinha água.
Ela aprendeu a ser a mulher que cresceu achando que sua mãe não teve o equilíbrio de ser. A-d-o-r-a seus momentos Amélia, mas não faz duas ou mais opções, no máximo, dá as sugestões e ele que escolha uma. A-d-o-r-a cuidar, ser presente, estar presente, falar e ouvir mas aprendeu também a deixar pra lá, dar um tempo, ficar ausente e calar-se. Adora dar, doar-se, e com tempo aprendeu seu limite para aguentar que isso não seja recíproco e não mais se maltrata passando dele. Descobriu a importância desses extremos e tenta equilibrá-los e não se importa (aliás, faz questão que não fique de fora) em não deixar uma coisa de fora da sua história: sexo!
Um dia ouviu sua avó a perguntar:
"Você já quis dar aquela trepada e o cara ficar de amorzinho?"
Sim, respondeu e vice-versa também. Acontece, ela descobriu. Se permitiu. Viveu.
Por um tempo acreditou que ser assim bastaria para que ela vivesse a tal história que tanto deseja viver. Hoje, tem lá suas dúvidas. O mundo, os amores, os amigos, os causos que ouve, as amigas, a fazem desconfiar que talvez, tal história ela já tenha vivido... em outra vida, de outras épocas, de outros seres humanos e personagens.
Nessa, ela se dá conta todo dia que foi-se o tempo que o "padrão corna de viver" era o da sua mãe, hoje, sabe de quem tem o mesmo intuito que ela e se esforça da mesma forma e também é. Descobriu que foi-se o tempo que a corna era a mulher chata, pegajosa, que liga cinco mil vezes/dia, a que nunca está disposta ao sexo. Se olhou no espelho e se deu conta que para ser corna, basta ser mulher.
E então decidiu...
Bora malhar a bunda, porque quando ele chutar:
uma: vai estar durinha e não vou sentir aquela geleca mole em mim; outra: o filho da puta vai ficar uns dois dias com o pé doendo.
Casou-se e fez tudo que achou certo (e também fez muita coisa errada, no calor das emoções). Cozinhou duas opções de almoço diferentes, dormiu no chão, num colchonetezinho (com um barrigão de oito meses) pois as coisas estavam abertadas para ele, se alegrava quando ele a convidava para ir "ali em Marechal, num restaurantezinho". Tirou espinha do peixe dele e cozinhou sem temperos que gostava pois não faziam bem a ele. Viveu assim durante quatro anos. Um dia, cansou-se dos vômitos, das ressacas, da violência moral, das noites fora de casa, do perfume de outra entranhado na roupa, das marcas de diversos batons no colarinho.
Nunca esqueceu os tais quatro anos, nunca esqueceu tamanho amor que a fez vivê-los. Amargurou-se e fechou-se para sempre.
Criou as filhas aos trancos e barrancos, principalmente durante os primeiros cinco anos que vieram após a separação, quando não pode contar com nenhum tipo de presença do ex-marido. Olhava firme nos olhos das meninas a cada vez que iniciavam um namoro e pedia-lhes "Não sejam idiotas como eu fui". Uma tornou-se uma pedra, mas conseguiu a sorte de um casamento normal. Digo; com problemas, diferenças, mas, onde existe amor. De vez enquando, eles até se abraçam! A outra, insiste em achar que vai conseguir viver uma história melhor, mais bonita e mais longa que a maioria das mulheres da sua família.
Cresceu ouvindo as lamúrias de uma mulher que fez absolutamente T-U-D-O pelo marido (e talvez seu grande erro tenha sido exatamente esse), no entanto, sempre se esquivou dos planos de quem viveu tal frustação, resolveu encarar a vida do seu jeito e viver as suas próprias. Sempre com os olhos atentos e com ela por perto foi crescendo, escreveu algumas linhas tortas, é verdade, mas nunca, nunca, seguiu seu principal conselho (que prefiro não revelar).
Talvez por ter visto tantos corações calarem-se ao longo do tempo, o dela, nessa ânsia de ser feliz, fala demais. É, sem dúvidas, a da família que mais tem amigos e por isso, mais exposta. Tem uma lista de amigas, e uma de amigos. Uma lista de namorados de amigas que a adoram e uma lista de namoradas de amigos que se divide; umas, a amam, outras, a o-d-e-i-a-m. Com todos, no entanto, tenta se dar bem e, cá entre nós, sofre, quando é rejeitada, mal interpretada. É, sem dúvida, a que mais sofreu (ou pelo menos demonstrou isso) por amor. Sempre mergulha de cabeça em suas vivências e já aconteceu de não se dar conta que nem sempre a piscina tinha água.
Ela aprendeu a ser a mulher que cresceu achando que sua mãe não teve o equilíbrio de ser. A-d-o-r-a seus momentos Amélia, mas não faz duas ou mais opções, no máximo, dá as sugestões e ele que escolha uma. A-d-o-r-a cuidar, ser presente, estar presente, falar e ouvir mas aprendeu também a deixar pra lá, dar um tempo, ficar ausente e calar-se. Adora dar, doar-se, e com tempo aprendeu seu limite para aguentar que isso não seja recíproco e não mais se maltrata passando dele. Descobriu a importância desses extremos e tenta equilibrá-los e não se importa (aliás, faz questão que não fique de fora) em não deixar uma coisa de fora da sua história: sexo!
Um dia ouviu sua avó a perguntar:
"Você já quis dar aquela trepada e o cara ficar de amorzinho?"
Sim, respondeu e vice-versa também. Acontece, ela descobriu. Se permitiu. Viveu.
Por um tempo acreditou que ser assim bastaria para que ela vivesse a tal história que tanto deseja viver. Hoje, tem lá suas dúvidas. O mundo, os amores, os amigos, os causos que ouve, as amigas, a fazem desconfiar que talvez, tal história ela já tenha vivido... em outra vida, de outras épocas, de outros seres humanos e personagens.
Nessa, ela se dá conta todo dia que foi-se o tempo que o "padrão corna de viver" era o da sua mãe, hoje, sabe de quem tem o mesmo intuito que ela e se esforça da mesma forma e também é. Descobriu que foi-se o tempo que a corna era a mulher chata, pegajosa, que liga cinco mil vezes/dia, a que nunca está disposta ao sexo. Se olhou no espelho e se deu conta que para ser corna, basta ser mulher.
E então decidiu...
Bora malhar a bunda, porque quando ele chutar:
uma: vai estar durinha e não vou sentir aquela geleca mole em mim; outra: o filho da puta vai ficar uns dois dias com o pé doendo.
Comentários
Postar um comentário