::: Resposta: Saudade dos seus ombros :::

Às vezes era como se houvesse aquele pensamento "me espera só mais um pouquinho?" quando você me olhava com aquela cara banal que você fazia. Era como se quissesse me congelar enquanto você conferia por ai pela centésima vez se não tinha mesmo nenhuma outra melhor que eu.

Pode até ter uma conta bancária mais recheada. Uma bunda maior e mais dura. Talvez você ache um sexo de Dayane dos Santos, daquelas que dão um show de flexibilidade e o sexo é quase pirotécnico. Pode até ter alguma descolada que te deixe instigado. "Mas não tem nenhuma como eu."

Eu avisei.

 Já fui descolada o tanto quanto qualquer outra pode ser com você. E hoje, para seu governo, sou muito melhor nisso. E, querido, por mais básico que você acha que pode ser, tem muito azeite, alho, cebola e louro no mero "arroz com feijão" que a gente faz.

Uma coisa, pequenina, mudou tudo, mudou todos os meus planos... Não sei bem se a forma como nos olhamos ou o significado da nossa troca de olhares. Ou foi a direção?

As vezes eu só desejava que fosse isso mas de alguma forma, por alguma razão seus olhos me diziam que era na minha mania de rir de tudo que você encontrava forças quando estava com medo. E, quando você estava rindo de tudo, era na minha neurose que encontrava um pouco de chão. E, quando precisava se sentir especial e amado, era pra mim que você ligava.

E, quando estava longe de casa, ou prestes a ter um troço e precisava se sentir em paz, ou, sentir o mínimo dela, gostava de (e desejava) ouvir minha voz, pra me sentir perto de você. E, quando pensava em alguém em algum momento de solidão, fosse para chorar ou para ter algum pensamento mais safado, era em mim que você pensava.
 Eu sempre soube de tudo isso.

Mentira! Meeentiira! Mentiiiraaa!

Não sabia de nada, você nunca se preocupou em me "responder" isso...
Mas não tem nada não... Eu vou te contar um segredo: Eu queria ser isso tudo.
Vou te contar outro... não fui para você mas aaaaaaaaaaah pra alguém eu vou ser porque continua sendo exatamente isso que quero ser.  

Este, aliás, talvez seja meu grande erro, talvez o maior dos acertos. Nunca joguei com as pessoas e estando com elas, nunca com os meus, meus desejos, meus instintos. E não me sinto fraca ou boba ou perdendo meu tempo por causa disso, dessa decisão ou de nós. Me sinto sempre tentando e se não der... não deu, ora essa; Não é fácil, não era (e nem é) 24 horas por dia gratificante mas tentei e tento sempre!

Não acho mais que o grande segredo da receita do bolo seja fazer doce, querer mas não ir, querer mas não falar, querer mais não sentir. Não quero viver assim. Eu vou, eu falo (do meu jeito torto, é verdade), e eu sinto. Nunca omiti isso. Se vão corresponder... são outros 500. Não quero passar esse tipo de vontade - eu já vivo de dieta, caramba!-
Não tive e não tenho vergonha de assumir, seja pra quem for: Eu só quero ser correspondida, até onde isso for, até quando durar; que exista uma coisa que seja sempre recíproca na minha história: a verdade. Faltou tudo isso e muito mais entre nós.

Uma coisa eu devo te agradecer. Vou pra cama todo dia com cinco dvds para assistir e uma saudade imensa de quem quer que seja, mas não vou sair caçando por aí qualquer mala na rua pra esquecer ou substituir... para me esquecer do que eu quero pra mim e acordar com uma senhora ressaca moral. 

Sim, é verdade, por um período foi exatamente o que fiz e aconteceu. Doeu em você? Foda-se. Doeu muito mais em mim. Valeu para aprender que quando alguém tem que vir para dormir, sonhar e acordar junto, esse alguém vem.

Me recuso a esquecer de mim dessa vez porque aprendi que bancar as atitudes não é para qualquer uma, e eu as banco, as banco sozinha, com meu coração. E eu malho todo dia (nem todos, é verdade) para poder tomar um chopp e comer um pastel quando tiver vontade, sem pesar na consciencia.

Eu não faço desfile de moda todos os segundos do meu dia porque o universo volta e meia conspira a meu favor e me acho bonita sem precisar de chapinha, salto alto e peito de pomba. Eu tenho pena das mulheres que correm o tempo todo atrás de se tornarem a melhor fruta de uma feira; pra depois serem apalpadas e terem seus bagaços cuspidos.

Por ai você vai encontrar gente tão preocupada com suas bundas, pernas e barrigas que quando quiser companhia pro seu amado pastel com chopp vai pensar em mim e talvez se dê conta que passei muitos dias comendo alface, esperando pelo convite (compensações precisam ser feitas sempre!).

Que bom, querido, que você deu de cara com gente que esquece de trabalhar os ombros. O meu eu continuo malhando todos os dias para aguentar o peso de ser um ser humano de verdade, de carne, osso e sentimentos... ombros perfumados e preparados para acolher, ouvir, ter um gesto de amor, servir e ser útil.

Tá com saudade? Problema seu.

Passar bem.

* Tati Bernadi fazendo escola!!!

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