Aí eu canto como quem não quer nada, querendo tudo "...até quem me vê lendo o jornal na fila do pão sabe que eu te encontrei...". (é Los Hermanos, é chato, é brega, é um porre... dá ressaca, mas que se foda)
Você finge não entender.
Saímos pela calçada com a música na cabeça; você finge que não e eu entendo que sim e vice-versa porque eu nunca te entendo com muita facilidade embora sempre seja eu que fique desenhando e traduzindo meus pensamentos.
Uma senhorinha olha e me acha doida. Rodopio no poste. Completamente idiota, abobada. Esqueço um pouco que caminho nervosa ao seu lado quando você me dá as mãos. Esse seu silêncio que diz tudo e não diz porra nenhuma... ô inferno! Que vontade tenho de dar um soco na sua cara, um chute no seu saco e depois te socorrer e te colocar no colo... (mas você tem que fazer drama e cara de cachorro com frio)
Eu acho que você também fica nervoso e é um artista, disfarça muito bem, e me deixa ali... com cara de cachorra abandonada, faminta, na chuva, sem nem precisar fazer drama porque tá escrito na minha testa. Você caminha meio como quem nada quer e ao mesmo tempo me olha como se tudo quisesse e soubesse querer. Não dá para te entender. E as vezes é tudo ao contrário. Ô tormento!
Meus amigos com os quais sou simplesmente uma doida, grossa, "caveira", não me reconheceriam ao seu lado; quieta, falando baixinho, em paz e ao mesmo tempo, contraditoriamente, completamente atormentada. Eu sou nervosa demais para constatar o óbvio, tenho medo demais para arriscar, e falo sem parar, falo muito, por demais e calo. Não sei como agir. Disfarço, tento.
Quero te agarrar. Ali. Agora. Chegamos no carro. Mais disfarces como se fossemos amigos de longa data e eu sequer sei a ordem dos seus sobrenomes.
Ok, então tá, eu digo.
Então tá então, você diz.
Você se despede beijando meu rosto. Ninguém nunca beijou um rosto por tanto tempo. É meio que um recorde. Fico pensando asneiras quando assustada; "me agarra logo, cacete!" pensei e você não ouviu. Aí cansei de ficar na ponta dos pés e mesmo assim você continuava a me cheirar, me beijar e me abraçar.
Peloamordosantocristo; que porra é essa?!? N-Ã-O S-O-U (e nem quero ser) S-U-A- A-M-I-G-U-I-N-H-A; oras!
Merda. O relógio é tipo um assassino do amor. Essa coisa de horário, de compromisso. Meus pensamentos desbocados e sem a menor censura me lembram de não falar besteira. É feio e minha boca é tão bonita. Não, você nunca disse... mas sei lá porque (acho que me faz bem) penso que pensa isso. Certamente quando falar, vou entender que minha roupa é tão bonita.
Não, não! B-O-C-A; Você terá que explicar.
E eu irei rir, sem graça, me sentindo a pessoa mais idiota e feliz do universo.
"Então, tchau" digo como se quisesse mesmo que aquele momento acabasse. Isso me deixa triste, você precisa ir e não demonstra querer ficar. Foi divertido. Você sorri gostoso. Entro no carro sem entender lhufas, e, acho também que você não entendeu nada.
Tanta certeza, tanto sentimento, tanto tesão, ou algo muito parecido com isso disperdiçado, concluo. Meu celular toca, e de rabo de olho, olho você mexendo na mala, é uma amiga em prantos, ao dizer que estava com você até ha pouco, ela suspira. Que mané, suspiro é esse, penso. "Aaaah, muito respeito e amizade; eu hein", falo a fazendo cair na gargalhada.
Imagino você chegar na janela e dizer que queria ficar mais tempo. Eu nunca sei o que fazer numa situação dessas. Sim, é só imaginação, eu sei; e mesmo assim. Mesmo nela, com você, eu nunca sei se seria melhor fazer um doce e sorrir ou se te agarro logo e acabo essa pendenga; tiro logo sua roupa e resumo logo tudo isso.
Vou embora, alegre, pensando em você e pensando em como seria se fosse tudo diferente e mesmo não sendo eu já fico rindo sozinha.
Você finge não entender.
Saímos pela calçada com a música na cabeça; você finge que não e eu entendo que sim e vice-versa porque eu nunca te entendo com muita facilidade embora sempre seja eu que fique desenhando e traduzindo meus pensamentos.
Uma senhorinha olha e me acha doida. Rodopio no poste. Completamente idiota, abobada. Esqueço um pouco que caminho nervosa ao seu lado quando você me dá as mãos. Esse seu silêncio que diz tudo e não diz porra nenhuma... ô inferno! Que vontade tenho de dar um soco na sua cara, um chute no seu saco e depois te socorrer e te colocar no colo... (mas você tem que fazer drama e cara de cachorro com frio)
Eu acho que você também fica nervoso e é um artista, disfarça muito bem, e me deixa ali... com cara de cachorra abandonada, faminta, na chuva, sem nem precisar fazer drama porque tá escrito na minha testa. Você caminha meio como quem nada quer e ao mesmo tempo me olha como se tudo quisesse e soubesse querer. Não dá para te entender. E as vezes é tudo ao contrário. Ô tormento!
Meus amigos com os quais sou simplesmente uma doida, grossa, "caveira", não me reconheceriam ao seu lado; quieta, falando baixinho, em paz e ao mesmo tempo, contraditoriamente, completamente atormentada. Eu sou nervosa demais para constatar o óbvio, tenho medo demais para arriscar, e falo sem parar, falo muito, por demais e calo. Não sei como agir. Disfarço, tento.
Quero te agarrar. Ali. Agora. Chegamos no carro. Mais disfarces como se fossemos amigos de longa data e eu sequer sei a ordem dos seus sobrenomes.
Ok, então tá, eu digo.
Então tá então, você diz.
Você se despede beijando meu rosto. Ninguém nunca beijou um rosto por tanto tempo. É meio que um recorde. Fico pensando asneiras quando assustada; "me agarra logo, cacete!" pensei e você não ouviu. Aí cansei de ficar na ponta dos pés e mesmo assim você continuava a me cheirar, me beijar e me abraçar.
Peloamordosantocristo; que porra é essa?!? N-Ã-O S-O-U (e nem quero ser) S-U-A- A-M-I-G-U-I-N-H-A; oras!
Merda. O relógio é tipo um assassino do amor. Essa coisa de horário, de compromisso. Meus pensamentos desbocados e sem a menor censura me lembram de não falar besteira. É feio e minha boca é tão bonita. Não, você nunca disse... mas sei lá porque (acho que me faz bem) penso que pensa isso. Certamente quando falar, vou entender que minha roupa é tão bonita.
Não, não! B-O-C-A; Você terá que explicar.
E eu irei rir, sem graça, me sentindo a pessoa mais idiota e feliz do universo.
"Então, tchau" digo como se quisesse mesmo que aquele momento acabasse. Isso me deixa triste, você precisa ir e não demonstra querer ficar. Foi divertido. Você sorri gostoso. Entro no carro sem entender lhufas, e, acho também que você não entendeu nada.
Tanta certeza, tanto sentimento, tanto tesão, ou algo muito parecido com isso disperdiçado, concluo. Meu celular toca, e de rabo de olho, olho você mexendo na mala, é uma amiga em prantos, ao dizer que estava com você até ha pouco, ela suspira. Que mané, suspiro é esse, penso. "Aaaah, muito respeito e amizade; eu hein", falo a fazendo cair na gargalhada.
Imagino você chegar na janela e dizer que queria ficar mais tempo. Eu nunca sei o que fazer numa situação dessas. Sim, é só imaginação, eu sei; e mesmo assim. Mesmo nela, com você, eu nunca sei se seria melhor fazer um doce e sorrir ou se te agarro logo e acabo essa pendenga; tiro logo sua roupa e resumo logo tudo isso.
Vou embora, alegre, pensando em você e pensando em como seria se fosse tudo diferente e mesmo não sendo eu já fico rindo sozinha.
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