Sonhei com você essa noite. Surreal. Tudo tão perfeito e tão doido. Sim, porque quando você não age, eu canso de esperar e quando eu tenho uma atitude qualquer sinto como se eu não tivesse a tido, você não a teria.
Deus do céu. Como sou complicada. Até em sonho.
"Eu ficava esperando muito tempo, até que o ônibus finalmente chegava. Eu estendia a mão, ele parava, e quando eu levantava o olhar pra checar a lotação, eu via você. Quer dizer, um cara. Mais ninguém, só você. E eu sabia. Simplesmente sabia que era você, que era ele.
Que era minha vez de subir, que tinha um assento reservado com meu nome. Mas eu ficava paralisada, com vergonha e sem saber como agir, sem saber onde pôr as mãos.
No fundo, eu tinha medo de subir porque eu teria de tomar a iniciativa, chamar atenção, fazer alguma coisa que fosse.
E se não fosse o que você queria?
E se naquele momento você não me quissesse?
Era mil vezes mais confortável enquanto eu esperava, esperava, esperava. Mentira, mentira, eu odiava esperar. Tinha borboletas no corpo todo. Ansiosa pensava "Deus do céu, fala logo para o que veio!".
Aí o ônibus arrancava e você, não, não... esse cara, que não era você mas era você; saca? Ele girava o pescoço e ficava olhando pra trás, uma carinha linda de cão abandonado, até sumir na esquina. E eu ficava lá, parada, com os pés encravados no chão, vendo minha chance passar e me perguntando porque você, quer dizer, o cara, não me deu uma ordem qualquer para subir logo ou ir de vez.
Aí eu acordava ensopada de suor e me achando a mais covarde do mundo."
As vezes eu tenho pena de você.
Quase sempre de mim.
Deus do céu. Como sou complicada. Até em sonho.
"Eu ficava esperando muito tempo, até que o ônibus finalmente chegava. Eu estendia a mão, ele parava, e quando eu levantava o olhar pra checar a lotação, eu via você. Quer dizer, um cara. Mais ninguém, só você. E eu sabia. Simplesmente sabia que era você, que era ele.
Que era minha vez de subir, que tinha um assento reservado com meu nome. Mas eu ficava paralisada, com vergonha e sem saber como agir, sem saber onde pôr as mãos.
No fundo, eu tinha medo de subir porque eu teria de tomar a iniciativa, chamar atenção, fazer alguma coisa que fosse.
E se não fosse o que você queria?
E se naquele momento você não me quissesse?
Era mil vezes mais confortável enquanto eu esperava, esperava, esperava. Mentira, mentira, eu odiava esperar. Tinha borboletas no corpo todo. Ansiosa pensava "Deus do céu, fala logo para o que veio!".
Aí o ônibus arrancava e você, não, não... esse cara, que não era você mas era você; saca? Ele girava o pescoço e ficava olhando pra trás, uma carinha linda de cão abandonado, até sumir na esquina. E eu ficava lá, parada, com os pés encravados no chão, vendo minha chance passar e me perguntando porque você, quer dizer, o cara, não me deu uma ordem qualquer para subir logo ou ir de vez.
Aí eu acordava ensopada de suor e me achando a mais covarde do mundo."
As vezes eu tenho pena de você.
Quase sempre de mim.
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