Às vezes eu me pergunto se sei lidar com essa gente simples, que quis dizer o que disse, sem entrelinhas, sem drama, nenhuma vírgula subentendida. De verdade, talvez não seja tão fácil ouvir uma coisa e não imaginar mil coisas em cima e por trás disso, tentando adivinhar os pensamentos mais secretos e sentimentos mais profundos de alguém que só disse "Bom dia". Quem, além de um e outro, diz "Bom dia" assim, à toa.
E o que me enlouquece é que sim, tem mais quem diga e eu acabo sempre parecendo louca e paranoica. Talvez seja, pois o meu apego quase nunca é apego, é só um nome bonito, uma capa rosa-bebê pro meu egoísmo medíocre.
Não que eu não o queira feliz com outra pessoa, mas mil vezes me pego a pensar no quanto o quero comigo.
Eu, tão bruta. Eu, tão prática, seca e às vezes fria... Quero guardar tudo e todos numa gaiola em cima do armário, mesmo que me esqueça da maioria deles, só por ter. É, patético, eu sei. Mas meus sentimentos mesquinhos também são sentimentos e eu não posso expulsar. Como simplesmente ignorar se eu é o que eu sinto.
Ok, eu sei. Nada é a toa. Ninguém vem, nem vai, em vão. Tudo nos conformes, tudo nos planos e eu me pergunto se isso tudo é aceitar ou me conformar. E eu me perco na busca pela certeza de uma resposta correta, mas afinal, o que é certo e o que é errado?
Se no final das contas tudo vale é a mim que cabe transformar erros em aprendizado, negativos em positivos, ora, eu não posso querer me esquivar da vida, de me permitir viver. Não posso escolher pedir pra não me verem, não dizerem que me querem. E, pior, eu não posso esconder que os vejo e os quero.
Não é assim tão fácil achar que se todo Oi é só Oi ou todo Oi esconde um Tchau ou Como vai. Eu queria, na verdade, volta e meia, ao meu bel-prazer pedir para que se fosse só oi as pessoas me poupassem.
Porque eu sou apaixonada por pronomes possessivos e ter que ficar disfarçando minha loucura é o tipo de coisa que realmente me enlouquece. Então pula essa parte!
O que eu quero dizer com isso tudo é que bom seria se todos deixassem claro se vem pra valer, vem pra ficar ou não vem.
É porque chega de gente minha se encontrando fora de mim. Chega de perder amores pra liberdade, que no fundo é só uma droga de gaiola grande.
Chega e fim.
Chega e vai.
Às vezes sou sozinha assim, pois aprender a conviver com a solidão me parece bem mais prático do que aprender a abrir mão de pedacinhos de mim.
É, eu sei... é egoísmo demais da minha parte, me esquivar, esquivar as pessoas, deixar passar a vida.
Assim volta e meia sou. Assim estou. Mas é só um pouquinho, só um instantinho, e nesse só eu fico cada vez mais só...
Só hoje, só.
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