É que...

É que de vez enquando um "te amei" faz mais falta que um "te amo" e eu explico...

É porque bate uma saudade irracional do que não fomos, do que escolhemos não ser, do que não éramos pra ser. E dá uma vontade de voltar, de ligar, de dizer mil coisas sem me importar com nada; mas, não, melhor não.

É que eu vi que o "te amei" me faz falta pra que eu ache que valeu tanto a pena pra você quanto pra mim, e preciso me sentir especial. É que "te amei" é aconchego pra alma, acalento pro corpo, carinho nos ouvidos. É que "te amei" é suspiro que mata saudade e motivo pra brilhar o olhar, mas possivelmente você não transformou na mesma poesia tudo o que eu nos transformei.

Nos transformei em amor-próprio que talvez eu antes nunca nenhum pouco tivesse. Nos transformei em força para minhas fraquezas, em impulsos para minha inércia e calma para minha ansiedade. Eu transformei nossa história em fases; senti dor, raiva, arrependimento, hoje eu quase sinto gratidão e um estranho amor. Analisei meus erros e reconheci meus acertos. Concluí que errei muito e que só não acertei mais porque não tive chances.

Eu fiz do nosso amor meu amor, amor por mim. Olhei para minha vida, para mim, pro meu corpo e pra minha alma. Me fechei pra poder me abrir. Eu precisei de um tempo.

Eu transformei nossa história em experiência, em laboratório. Fiz do meu amor cobaia para um futuro. E aí é melhor viver pros "eu te amo" que essa poesia que nos transformei me faz acreditar, me faz querer, porque se não pode ser, porque se você se foi e não voltou...

Aí eu lembro, só eu "te amei".

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