Nem a favor. Nem contra.

- Casa comigo?
Oi? Como? Quando? Por que?
- Sei lá, porque eu gosto da ideia de viver com você.

Pode parecer estranho e foi assim mesmo. Com o tempo as coisas foram se justificando. Era mesmo legal estar sempre junto. Acharam que tinha chegado a tal "hora de casar" da relação. Famílias se davam super bem. Eram padrinhos de uma mesma criança. Ele pagava conta dela. Ela pagava conta dele. Tinham comprado até um ar condicionado juntos. Passavam semanas um na casa do outro.

Pronto. Juntaram os trampinhos após 2 anos e meio de namoro. As roupas dele na casa dela e as dela na casa dele tiveram um novo destino. A casa...deles.

No início a criatividade de cardápio de janta impressionava, o sexo ainda cheirava a namoro, foi assim até surgirem as dificuldades. A falta de emprego dele. As dores de cabeça dela. Numa bela noite, três singelos e humildes meses depois, ela chegou em casa com um envelope. Ele esparramado no sofá estava, continuou. Ela foi tomar banho, pensando no que seria dela, dele, deles. Ao sair do banheiro, ele estava finalmente disposto a dar um espacinho pra ela sentar (na verdade há quem diga que ele estava levantando para ver se ela já tinha feito a janta) e foi assim que tudo terminou.

- Estou grávida.

Como assim "tudo terminou"? Pois bem, explico que o que seria o começo de uma nova etapa, de fato foi, o começo do fim.

- Mas eu não queria ser pai agora.

E não foi. Assim ela aprendeu que casamento não é só morar junto. Casamento é querer junto. É querer uma vida real. É querer enfrentar, é suportar. Não é um mar de rosas e brincadeira de crianças como se dois adultos estivessem ali para brincar de casinha.

Longe de ser contra e longe da obrigação de ser a favor. Ela aprendeu que é a favor de relações de verdade, de relações sinceras e pra ser assim não precisa nomear casamento. Existem namoros muito mais reais que muitos casamentos. Casamento pra ela passou não ser apenas o fato de morar junto mas de conviver.

De contudo e com tudo, viver.

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